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Entrevista com Symphonix, destaque do trance progressivo

Marcelo Fontenele

Recém lançado, o álbum “The Wild Life”, o último do duo Symphonix, é um CD que definitivamente não pode faltar na discoteca básica de quem ama trance progressivo. Nascido no norte da Alemanha, o projeto é um dos que mais se destacam no prog atualmente. Tudo culpa de Sirko e Stephan Wötanowski, conhecidos como DJ Montagu e DJ Golkonda.

Os irmãos também são os fundadores do selo Brue Tunes, situado em Schwerin, que além do Symphonix conta com Odiseo, Humann Traffic, NOK, Koan e True Lies, o projeto paralelo dos Wötanowski voltado ao progressive house e electro.

Nesta entrevista embalada por “Miles to Go”, track que fecha o álbum “The Wild Life”, o Psyte conversou com o DJ Montagu especialmente para fãs de progressivo. Confira!

Conte-nos sobre a inspiração para "The Wild Life".


DJ Montagu
- Nossa inspiração veio dos lugares em todo o mundo pelos quais nos apresentamos. De diferentes culturas, pessoas e amigos em todos os lugares. Nós queremos mostrar a nossa vida na nossa música. É como uma combinação dos dois.

Como tem sido a reação do público até agora com este álbum? Ele funciona melhor para day ou night parties?

DJ Montagu - Com certeza, nossa música funciona melhor em day parties. Nós temos tido bons feedbacks de toda parte. “The Wild Life” é o puro trance progressivo e nós sentimos que as pessoas amam este tipo de som.

Quais artistas influenciaram vocês?

DJ Montagu - Depeche Mode, D-Nox & Beckers, FREq e Liquid Soul.

Symphonix se tornou um dos projetos de progressive trance mais admirados atualmente. Quais são seus planos para 2009? Vocês acabaram de lançar a V.A. Timetable, que eu adorei. Este ano nós podemos esperar por mais compilações da Blue Tunes ou algum álbum novo do Symphonix ou True Lies?

DJ Montagu - Em 2009 com certeza nós faremos mais algumas compilações e alguma coisa nova do Symphonix. Mas atualmente nosso foco é em nosso projeto paralelo True Lies. O novo álbum deverá sair em outubro de 2009. E o próximo álbum do Symphonix em dois anos.

Eu vi no Myspace que vocês tinham datas marcadas em Tel Aviv em janeiro. Como você vê as ofensivas israelenses em Gaza?

DJ Montagu - Nós acabamos não tocando em Israel, justamente por causa da guerra. Aquele não era o melhor momento para tocar lá. Mas um ano atrás nós estivemos em Israel e foi uma das melhores experiências que tivemos. É realmente uma cena aberta e interessada. Sobre Gaza, nós podemos dizer que guerra não é uma resposta para os problemas.

Eu concordo com você. Mudando de assunto, este mês de fevereiro, o Rio de Janeiro sedia o Rio Music Conference, que discutirá o mercado da música eletrônica. No Brasil, nós podemos dizer que existem mais de 1 milhão de pessoas que “consomem“ trance e vão às festas e festivais. O que se ouve da cena brasileira na Europa?

DJ Montagu - Na Europa as pessoas dizem que a cena brasileira é muito aberta a diferentes estilos de música e gente de cenas diferentes festejam juntos num festival ou festa. Nós temos muitos amigos que tocam diversas vezes no Brasil e sempre voltam muito animados.

Quais equipamentos podemos encontrar no seu estúdio?

DJ Montagu - Nós estamos trabalhando com Cubase e Abliton, UAD1 e UAD2 (pac de áudio), Moog Little Phatty (sintetizador analógico) com alguns efeitos moogerfooger, Virus B, Roland 303, alguns controladores midi e uma mesa de controle Mackie.

Nós estamos terminando, deixe um recado para os fãns brasileiros de trance progressivo!

DJ Montagu - Música é a resposta para tudo e para todos!

Obrigado pela entrevista, Sirko! Esperamos ver Symphonix ou True Lies aqui em 2009!

DJ Montagu - Nós também esperamos. Obrigado!


Links:
www.myspace.com/symphonixmusic
www.myspace.com/bluetunesrecords
www.bluetunes-records.com
www.myspace.com/djsmontagugolkonda

Entrevista com Otacílio Mesquita


“Proibir por proibir me parece o caminho mais simples e injusto.” Na opinião de Otacílio Mesquita, sócio diretor do núcleo Trance Movement, as propostas de proibição das raves não resolverão a questão do uso de drogas sintéticas pelos jovens. Para ele, os projetos de lei apresentados pelo vereador Elias Murad (na Câmara Municipal de Belo Horizonte) e pelo deputado estadual Sargento Rodrigues (na Assembléia Legislativa mineira) são o início de uma discussão que visa regulamentar os eventos de música eletrônica no Estado.


Entretanto, na visão do empresário, as propostas estão subjetivas, pois não definem precisamente o que são as festas raves. “E, principalmente, não diz o que realmente está fora dos padrões que deva ser melhorado em relação a outros eventos”, acrescenta. Otacílio afirma que, com a proibição das raves, seria o fim da cena eletrônica mineira, pois são através desses eventos que a cidade recebe artistas internacionais e é possível fazer parceria com núcleos de outros Estados e países. “Sem este intercâmbio estaríamos na contramão cultural do mundo. Seria um retrocesso, uma volta ao passado, à época da ditadura.”


Otacílio conta que o Trance Movement tem realizado fiscalizações rigorosas em seus eventos, mas ressalta que ainda falta tratar do combate aos entorpecentes nas raves. “Acho que falta fazermos um trabalho de educação e conscientização sobre o uso de drogas, e já estamos trabalhando nisso.”

Leia, a seguir, entrevista realizada por e-mail:


Gostaria de saber a opinião de vocês sobre os projetos de lei apresentados pelo vereador Elias Murad (PSDB) e pelo deputado estadual Sargento Rodrigues (PDT).


Acredito que estes projetos sejam o início de uma discussão que regulamente os eventos de música eletrônica em nossa cidade e conseqüentemente em nosso estado. A princípio, do jeito que está, acho que a lei está muito subjetiva, não definindo exatamente o que é uma festa rave. E, principalmente, não diz o que realmente está fora dos padrões que deva ser melhorado em relação a outros eventos. Os problemas que levam a esta possível proibição devem ser mais definidos. Dizer que os jovens usam drogas sintéticas por causa das raves é muito simples. É preciso destacar o que leva a estas argumentações. Aí sim podemos ter conteúdo pra discutir. Proibir por proibir me parece o caminho mais simples e injusto.


A simples proibição das raves em Minas Gerais resolverá a questão do consumo de drogas sintéticas?


Na minha opinião, não. Este projeto de lei, da forma que está, atinge principalmente os eventos profissionais, produzidos por empresas estabelecidas e que prestam contas ao poder público quando realizam seus eventos. A proibição vai incentivar os jovens a organizarem suas próprias festas de maneira amadora e perigosa. Vão migrar pra lugares afastados, sem controle dos órgãos públicos, sem atendimento médico. Sem falar que a proibição cria uma atmosfera que vai despertar a curiosidade do jovem, uma vez que este lado proibitivo sempre motiva o jovem de alguma forma.


Se o principal problema são as drogas, quais seriam as medidas a serem tomadas para combatê-las? Educação, conscientização sobre as drogas, fiscalização rígida e regulamentação das festas?


Sim!!! Como todo evento que reúne um grande número de pessoas, principalmente jovens, estes cuidados têm que existir sempre. Educar pra criar jovens que tenham consciência para escolher o melhor caminho para o seu futuro é o início de tudo, mas isso é dever do Estado e da família. Já conscientização e fiscalização fazem parte de ações que cabe muito bem aos eventos. É importante que o jovem saiba o risco que está correndo usando drogas. Saber o mal que a droga faz e o risco que corre quem usa é muito importante. Quanto mais informarmos sobre estes riscos, mais consciência o jovem vai passar a ter. E a fiscalização é importante para inibir o mau elemento que vê nas festas um ambiente fácil pra promover seus atos ilícitos. Este controle e fiscalização são fundamentais pra privilegiar o bom freqüentador das festas. Aquele que esta lá por amor à música e ao ambiente de paz que existe nos eventos de música eletrônica.


O deputado Sarg. Rodrigues afirma, em seu projeto de lei, que as raves se tornaram "palco de violência e consumo de drogas". O que tem a opinar sobre isso?


Acho que deve haver um engano. Festas de música eletrônica são palcos de paz e harmonia. Se existe um tipo de evento com baixos índices de violência é o de música eletrônica. Sobre o consumo de drogas, antes de tudo, acredito ser um problema cultural existente em todos os pontos de aglomeração jovem, devemos fiscalizar e vigiar pra não permitir. Isto deve ser feito.


O Trance Movement foi procurado pelos (ou procurou os) senhores Elias Murad e Sarg. Rodrigues para discutir este assunto?


Procuramos o Dr. Elias Murad e fomos muito bem recebidos por ele. Ele se mostrou solidário à nossa intenção de regulamentar os eventos de música eletrônica, a fim de que as empresas profissionais do mercado tenham condição de trabalhar e, principalmente, ajudar na conscientização dos males do uso de drogas pelo jovem.


Quais seriam as conseqüências de tal proibição para a cena eletrônica mineira?


Seria o fim!! Nos grandes eventos e festivais temos a oportunidade de trazer grandes artistas, investir em infra-estrutura e principalmente fazer parceria com grandes núcleos de eventos de outros Estados e países pra trazer o que há de melhor da música eletrônica no mundo. Sem este intercâmbio estaríamos na contramão cultural do mundo. Seria um retrocesso, uma volta ao passado, à época da ditadura.


A alternativa será realizar festas em clubes?


Já fazemos eventos em clubes. Trabalhando apenas nos clubes, vamos ter limitações de data, capacidade e agenda que não resolveriam nunca o problema. Como disse na resposta anterior.


Você se sentiram prejudicados com as reportagens do jornal – principalmente as últimas publicadas no domingo em O Tempo (clique aqui para ler)?


De certa forma sim. Penso que estas últimas matérias não pesquisaram a fundo o movimento eletrônico e suas qualidades. Generalizaram muito o assunto das drogas e não procuram ouvir da mesma forma os dois lados envolvidos.


De modo geral, a imprensa está cobrindo o tema de maneira correta?


Vale a mesma resposta anterior.


Quais ações o Trance Movement têm feito e continuará fazendo para combater o consumo de drogas nas raves?


Mesmo antes de toda esta polêmica, sempre nos preocupamos com a fiscalização e o policiamento dentro dos nossos eventos. Fazemos uma revista rigorosa, só permitimos a entrada de maiores de 18 anos. Tanto a Polícia Militar quanto o Juizado de Menores, acompanham nosso trabalho de revista e conferência de documentos na entrada do evento. Montamos delegacia da Polícia Civil dentro do evento, posto de apoio da Polícia Militar e Juizado de Menores também. A polícia tem acesso livre dentro do evento. Na semana que antecede o evento, nós organizadores, nos reunimos com o poder público do evento (juiz, policia militar, policia civil, Juizado de Menores e donos do local) para deliberar a melhor forma de atuar no evento. Agimos sempre com a determinação das autoridades e com sua supervisão. Agora acho que falta fazermos um trabalho de educação e conscientização sobre o uso de drogas, e já estamos trabalhando nisso.


Quais os planos do Trance Movement para 2008? Há festas pré-agendadas para o próximo ano? Elas serão ao ar livre?


Enquanto não temos uma definição sobre estes problemas, vamos manter nosso calendário. E a maior parte dele é de eventos open air. A programação: Pacha, Chemical Music, Tribe, Festival Cachoeira Alta, Circuito Peugeot de Música Eletrônica, XXXperience, Creamfields, Warung Tour 2008, Trance Movement Edição Especial 7 Anos.


O DJ Anderson Noise afirmou ao Psyte que o problema das drogas é uma questão cultural e que ela está presente em todos os lugares (baile funk, pagode, churrascos, clubes, festinhas de amigos). Você concorda com essa opinião? Por quê?


Sim! Antes de a música eletrônica existir as drogas já estavam aí. É muito fácil fazer das festas de música eletrônica um culpado para um problema que faz parte da nossa cultura há séculos.

Entrevista com Mad Hatters


Destaque da cena psytrance nacional, o projeto Mad Hatters chegou rapidamente ao palco dos principais eventos do país, com produções carregadas de groove e melodias bem elaboradas.


Criado em 2005 pelos produtores Dainel Younis e Enzio Abbruzzini, o projeto agora é responsabilidade apenas de Daniel (foto), que acaba de lançar seu primeiro EP digital pela Wired Music, “Dreams”.


Em entrevista exclusiva ao Psyte, Daniel contou detalhes sobre a saída de Enzio e também revelou quais serão os próximos lançamentos do projeto, o que inclui tracks em diversas compilações e o álbum de estréia do Mad Hatters, previsto para agosto de 2008.


Fale sobre as mudanças no projeto, com a recente saída do produtor Enzio Abbruzzini. Quais os motivos e qual será o futuro do projeto?

Daniel: Na verdade não houve mudanças no projeto em si, pois o Mad Hatters continuará com a mesma intensidade e o mesmo estilo de antes. A saída do Enzio foi uma opção dele, pois ele achou que não estava se dedicando o suficiente e resolveu abandonar o projeto; mas a nossa amizade continua a mesma. O futuro do projeto é uma coisa com que me preocupo muito, por isso dedico todos os meus dias ao Mad Hatters, e tento cada vez mais aprimorar o que faço. O resto virá com o fruto de meu trabalho, e o reconhecimento do público.


O Mad Hatters já lançou produções em diferentes compilações de psytrance, inclusive algumas parcerias com outros projetos. Quais foram os últimos lançamentos e quando pretende lançar o primeiro álbum do Mad Hatters?

Daniel: Atualmente lancei no Beatport um EP digital pela Wired Music chamado “Dreams”, que contém um release de produção minha, track que dá nome ao EP; um remix de “Studiotan” (Earthling vs. Poli), e um remix com Cosmonet (“Intelect” Remix 2007). Será lançada ainda este ano uma compilação digital pela Wired Music com duas tracks, uma em parceria com Earthling (“Pop Smokers”), e outra de produção própria chamada “Blade Runner”. Já pela Spun Records, na compilação do Poli, lançarei um remix do GMS (“Animatrix” Mad Hatters Remix). Lançarei uma parceria com Hujaboy e Shanti (“El Rancheros”), esta pela Próton Records. Já no CD do Life Style, foi lançado um remix da track “Wada Fuck” (Mad Hatters, Life Style e Cosmonet), feito pelo produtor Joti Sidhu. O CD do Mad Hatters está previsto para agosto de 2008.


Algumas músicas do Mad Hatters são pesadas e intensas, outras mais alegres e melódicas. Como definir o estilo do projeto, as referências estão mais para “morning” ou “night” trance?

Daniel: Acho difícil classificar o estilo do Mad Hatters como “morning” ou “night”. Isto depende do momento em que estou sentado no estúdio produzindo; mas o live é bem eclético, com influências do techno e também um pouco de progressivo.


O Mad Hatters já se apresentou nos principais palcos do Brasil. Alguma vez vocês tocaram no exterior? Pretende realizar alguma turnê internacional?

Daniel: Sim. Toquei no México em novembro do ano passado, foi uma experiência bem interessante, mas nada comparado ao Brasil. Também farei outra turnê em fevereiro no Japão, para a apresentação do meu novo live, com todas as novas tracks mencionadas e algumas em que ainda estou trabalhando.


Com a explosão da música comercializada (e também baixada de graça) pela Internet, existe algum receio em vender músicas em formato digital?

Daniel: Não. Acho que a venda digital é o melhor caminho para diminuir a pirataria, e os downloads gratuitos de baixa resolução. A minha dica para aqueles que estão começando ou curtem o estilo, é de adquirirem músicas pela internet em sites como o Beatport, onde você pode ouvir o preview das tracks, compra-las por um valor relativamente baixo, e gravá-las em alta resolução em CD, incentivando assim a produção e a comercialização do gênero musical em todo o mundo.